Projetos ambientais transformam vidas e municípios

16/10/2018

Catalogar espécies nativas e levar conscientização para povoados distantes. Fazer disso um grande projeto e ganhar como resultado nascentes de rios preservadas, reflorestamento local e o brilho nos olhos dos moradores do assentamento Três Pontes, localizado em Perolândia (GO). Isso foi o que Celeni Miranda viu acontecer de perto e descreve com orgulho. “Quando ingressei na pós-graduação, nunca imaginei me envolver tanto em uma iniciativa tão incrível”, conta. Ela foi convidada pela coordenadora do curso, em parceria com a Atvos, a estruturar o projeto Conservando a árvore na mata, a água no rio e homem na terra.

 

Foram meses de trabalho em campo mapeando toda a diversidade arbórea local e planejando em detalhes o reflorestamento que ajudaria na recuperação das nascentes secas que estavam sem vazão de água naquele local. Depois disso, o grupo universitário apresentou aos agricultores da região. “No começo, encontramos muita resistência e tivemos que desenvolver um trabalho intenso de conscientização. Durante um ano, fomos nos assentamentos, reunimos seus proprietários e realizamos oficinas explicativas. Nosso maior desafio, sem dúvidas, foi conquistar a confiança de cada um deles”, completa.

 

Mestre em geografia pela UFG (Universidade Federal de Goiás), Celeni se encanta ao lembrar que depois de plantar as mudas, a natureza respondeu rapidamente. “Hoje, depois de 13 nascentes recuperadas, plantadas, cercadas e reflorestadas com árvores nativas da região, a vazão de água é muito maior e o sorriso no rosto de cada um dos agricultores que participaram do projeto vale mais do que qualquer outra recompensa”, finaliza.

 

Viveiro de mudas

O projeto tem hoje um documentário e um livro publicado. Como continuidade, e com o objetivo de oferecer mudas nativas à comunidade, Juveci Francisco dos Santos, técnico agrícola e integrante da Unidade Água Emendada, coordena o viveiro de mudas localizado no mesmo município. “A ideia do viveiro é produzir e distribuir as mudas para todos que queiram preservar nossa flora local. Atualmente, já distribuímos mais de 11 mil mudas. É muito gratificante perceber que as pessoas entenderam o valor ecológico do projeto e, mais do que isso, estão conscientes do impacto positivo que estão causando”, conta.

 

Gestão de resíduos

Iniciativas como essas não acontecem só em Perolândia. Pouco mais de 230 quilômetros dali, na cidade de Costa Rica (MS), o Energia Social viabilizou a elaboração do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos do município, que teve o seu aterro sanitário regularizado de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Em 2014, apoiamos na elaboração do documento. Hoje, consigo ver que Costa Rica é referência na destinação de resíduos sólidos na região”, diz Wagner Tavares, gerente de Segurança, Saúde e Meio Ambiente do Polo Taquari, que, além da Unidade Costa Rica, contempla a Unidade Alto Taquari.

 

Com pouco mais de 30 anos de existência, a cidade de Costa Rica transformou a vida dos moradores com a implantação de ações ambientais. Entre as iniciativas de destaque estão a coleta seletiva de resíduos sólidos, a coleta e tratamento dos resíduos de saúde, o licenciamento de aterro sanitário para resíduos não recicláveis – que é operado pela COOPERCORI (Cooperativa de Catadores de Lixo de Costa Rica) – e a aquisição de instrumentos de limpeza como varredores de vassouras. Até mesmo a inclusão de coleta de óleo usado para transformação e destinação correta foi contemplado. “Consigo afirmar que o projeto minimizou a geração e deu a destinação correta desses resíduos, adequou a segregação em sua origem, controlou e reduziu riscos ao meio ambiente”, finaliza Wagner.