Empreendedorismo nos assentamentos: potencializando a vocação local

19/09/2018

Zenaide de Jesus Almeida morou por muitos anos no assentamento Formiguinha, localizado no município de Mineiros (GO). Ela e sua família viviam com receio da sociedade por conta da discriminação de morar às margens da rodovia. Zenaide plantava e colhia seu próprio alimento até que a vida a apresentou uma engenheira agrônoma, professora, representante da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Goiás) que se mudou para Mineiros para promover a agricultura familiar da região. “Foi através dela que eu fui socializada”, conta.

 

O projeto apresentado para Zenaide foi o de fortalecimento da agricultura familiar para os cooperados da Coopermin (Cooperativa Mista de Agricultores de Mineiros e região). Com a capacitação profissional que recebeu do projeto, a produtora familiar rompeu seus limites como moradora do assentamento e hoje administra a Cooperativa e uma confeitaria. “Mudei a minha vida. Com muito suor, consegui pagar a faculdade das minhas filhas e comprei uma caminhonete. É um sonho realizado! Outros cooperados também conseguiram coisas que antes jamais imaginaram”, completa Zenaide.

 

O apoio à Coopermin é fruto de um dos 75 projetos desenvolvidos pelo programa Energia Social. Composta por comunidades de agricultores tradicionais, quilombolas e assentados, atende cerca de 62 cooperados, com 19 atuantes, que produzem e distribuem laticínios, frutas, hortaliças e outros produtos agrícolas. Em parceria com a Emater, a Atvos investiu em máquinas e implementos agrícolas, veículo para o transporte dos alimentos, elaboração do Plano de Negócios e qualificação em gestão para os 62 cooperados. Como resultado do projeto o faturamento anual da cooperativa passou de R$ 2 mil, em 2015, para R$ 460 mil, em 2017.

 

 

Oportunidades para todas

 

O empreendedorismo rural também mudou a vida de Maria Nazaré da Silva, moradora de Mirante do Paranapanema, interior de São Paulo. Em uma cidade com aproximadamente 18 mil habitantes, lidera o projeto Casa AMAS (Associação Mulheres Assentadas), que estimula a inserção de mulheres de 18 a 65 anos em atividades produtivas.

 

Com 53 anos de idade, Nazaré, como gosta de ser chamada, conta sua história com entusiasmo. “A associação existe desde 1999, mas só em 2014, com a chegada do Energia Social, o projeto criou corpo”, diz. Ela viu a sede da casa ser construída e a procura curiosa dos moradores pelas atividades que conseguiu promover desde então. “Antes não tínhamos nem cadeiras para sentar. Hoje, posso dizer que ver a nossa associação, assim tão bem estruturada, traz motivação para continuarmos a ajudar as famílias a terem renda e realizarem seus sonhos”, completa.

 

Em 15 anos, o principal objetivo da associação é promover a integração social e a geração de renda de 40 famílias da região. A criação do espaço físico oferece apoio à saúde, ao lazer, à qualificação profissional e às atividades físicas.

 

Cortar, costurar e empreender

 

Foi com esse objetivo que o projeto do Núcleo de Corte, Costura e Artesanato chegou ao município de Perolândia (GO), em 2014, e mudou a vida de 70 assentados da zona rural da cidade.

 

E foi com esse olhar de transformação local que o Energia Social integrou a iniciativa. O projeto promoveu a geração de emprego e renda desses moradores, através da implantação de uma célula produtiva com máquinas de corte, costura, bordado automatizado e todos os equipamentos adequados à confecção de roupas, uniformes e artesanatos possibilitou que um novo mercado fosse fomentado na região. O núcleo produz peças de roupas para toda a região de Perolândia, inclusive uniformes para a Unidade Água Emendada, da Atvos, localizada no município.